Falar de Viagens

O que visitar em Lisboa em 3 dias

Sendo portuguesa e gostando tanto da nossa capital, parece impossível que não tenha escrito este post antes! Se vais andar por Lisboa 3 dias nos próximos tempos, este guia sobre o que fazer em Lisboa em 3 dias é para ti!

Monumentos, restaurantes, miradouros, turistas, caracóis… Lisboa tem tudo isso e muito mais!

Rua Augusta

Mas para mim a pergunta que se impões neste momento é: 3 dias chegam para ver Lisboa?

Não… Não chegam. Lisboa é uma cidade enorme, com muita coisa que ver e se realmente queremos conhecer os bairros “com olhos de ver”, três dias não nos chegam para nada.

Infelizmente, a maioria dos mortais não vive num mundo perfeito em que podemos ficar os dias que nos apetecerem numa dada cidade e por isso muitas vezes temos de nos contentar com o fim-de-semana para uma visita rapidinha à cidade da nossa escolha. Daí que tenha escrito roteiros de 2 dias por Praga ou de um fim-de-semana no Porto.

O que fazer em Lisboa em 3 dias

Sou uma pessoa que adora andar a pé e acho que, mesmo sendo Lisboa a cidade das 7 colina,  melhor é andar a pé para poder conhecer tudo, perder-se pelos bairros e descobrir lugares interessantes.

Interior da Sé de Lisboa

MAS, senão gostas de andar a pé, recomendo que compres o passe de transportes Viva Viagem ou Lisboa 7 Colinas para poderes andar nos transportes públicos à vontade e evitares pagar o ROUBO que é o preço dos bilhetes dos elevadores (3,70€ comprado na hora).

Dia 1

Começamos o primeiro dia do nosso roteiro por Lisboa na Praça do Rossio, famosa como só ela, principalmente pelas portas “estranhas” que dão acesso à estação do Rossio…. E pela ginginha! Em tempo, houve no meio das duas portas uma estátua de D. Sebastião, mas um turista qualquer decidiu saltar lá para cima para tirar uma selfie com ela e acabou por deitá-la ao chão…

Apanhamos o Elevador da Glória e escapamos à subida pronunciada que nos leva até ao Miradouro de São Pedro de Alcântara, o primeiro dos muitos miradouros de Lisboa que visitaremos durante o percurso.

O Elevador da Glória abriu pela primeira vez em 1885 e desde então é o mais utilizado da cidade. Em apenas 5 minutos conecta os Restauradores com o Bairro Alto.

O Miradouro de São Pedro de Alcântara é um dos principais miradouros de Lisboa. As suas vistas para a colina do Castelo de São Jorge e para o centro da cidade fazem com que seja um must-see por mais vezes que já tenhamos ido à capital!

Tem 2 níveis de jardins: no mais baixo encontramos uns jardins geométricos engraçados e decorados com bustos de heróis nacionais e seres mitológicos. No nível superior, aquele que toda a gente conhece, temos alguns bancos para sentar, esplanadas e uma fonte. Junto à balaustrada há também um mapa de Lisboa em azulejo que ajuda a identificar alguns pontos de interesse.

Dica: tentem descobrir onde poderão estar os miradouros da Graça e do Castelo de São Jorge 😉

Depois de apreciar as vistas “deste lado da cidade”, continuamos o caminho até ao Convento do Carmo. É um passeio, sim, mas vale a pena conhecer as ruelas e as surpresas a cada esquina com que nos brinda Lisboa.

O Convento do Carmo é um antigo convento ….. destruído durante o terramoto de 1755 e que nunca chegou a ser reconstruído. Hoje em dia podemos entrar, por 3€, e visitar as ruínas que não deixam de ser espantosas.

Convento do Carmo

Um pouco mais abaixo do convento encontramos o Miradouro dos Terraços do Carmo. Descobri-os da última vez que fui a Lisboa e recomendo, não porque seja o melhor miradouro de Lisboa, mas porque nos poupa os 5€ e a fila interminável de subir o Elevador de Santa Justa.

Sim, admito, não sou fã do Elevador de Santa Justa. Acho que não vale a pena pagar e esperar para subir… MAS entendo que quem vai pela primeira vez a Lisboa o queira fazer!

Aproveitamos agora para dar um passeio pelo Chiado antes de irmos até ao Café A Brasileira.

Um dos locais mais conhecidos e emblemáticos do Chiado são os Armazéns do Chiado, que arderam em Agosto de 1988. Curiosamente, eu nasci nesse mesmo dia e desde então tenho uma “ligação especial” com o sítio. (antes costumava dizer que “estava o Chiado a arder e eu a nascer”)

Placa dos 25 anos do incêndio do Chiado

Próxima paragem: o café A Brasileira e a estátua do Fernando Pessoa, para a foto da praxe. Não aconselho ninguém a sentar-se aqui para tomar um café. Os empregados são das pessoas mais antipáticas e mal-educadas com que já tive o “prazer” de me cruzar. É preferível pararem na Santini do Chiado e comerem um gelado.

(fonte: lisbonne-idee.pt)

Daqui até ao próximo miradouro é um saltinho! Falo do Miradouro de Santa Catarina, um local pouco conhecido na freguesia da Misericórdia, com uma esplanada e uma estátua do Adamastor. É um bom sítio para parar, tomar algo e apreciar as vistas até ao Tejo.

A partir daqui, e até à seguinte paragem, é sempre a subir e a maior parte do caminho é feito ao sol. Não aconselho subir isto no verão e digo-o por experiência própria!

É uma boa altura para apanhar o famoso elétrico 28 até à Basílica da Estrela… Se conseguirem entrar!

Basílica da Estrela (fonte: pxhere.com/es/photo/318284)

Foi construída como cumprimento de uma promessa da raínhas D. Maria I, que em 1760 no dia do seu casamento com D. Pedro prometeu mandar construir uma igreja e um convento se da união resultasse um filho.

A igreja foi consagrada em 1789 e é a primeira igreja do mundo dedicada ao Sagrado Coração de Jesus.

Do alto do seu zimbório é possível avistar toda Lisboa e inclsivé as montanhas de Sintra. Se ainda não estás farto de miradouros, podes aproveitar para conhecer este!

Jardim da Estrela (fonte: lisbonlux.com)

O Jardim da Estrela, também conhecido como o Jardim Guerra Junqueiro, é um dos jardins mais tranquilos da cidade, frequentado maioritariamente pelos moradores de Campo de Ourique (obrigada Ju por me mostrares o jardim!). Dentro tem um cafezinho com esplanada muito acolhedor e com uns bolos espetaculares!!! Dá vontade de pedir um de cada!

Do jardim da Estrela até à Casa de Fernando Pessoa é um saltinho e essa é a próxima, e última, paragem do dia.

Inaugurada em 93, foi concebida como um centro cultural em homenagem ao famoso escritor português e à sua obra. Tem uma biblioteca pública, espaço para exposições de arte e nos pisos superiores podemos ver a casa onde Pessoa viveu os seus últimos 15 anos e onde escreveu o Livro do Desassossego.

Casa de Fernando Pessoa (fonte: vlifenews.vilavitaparc.com)

Chegamos ao final do primeiro dia deste roteiro turístico de Lisboa em 3 dias.

Se, para além dos monumentos lisboetas, também queres conhecer a diversão noturna da capital, aconselho que aproveites que andas pela zona e desfrutes do Bairro Alto e das suas centenas de bares e restaurantes para todos os gostos!

Mas não te deites tarde! Amanhã o dia vai ser passado a andar, que ainda falta muito por ver!

Dia 2

Começamos o segundo dia pela Baixa Pombalina da cidade, pela Praça do Comércio, onde antigamente atracavam os barcos que chegavam a Lisboa.

Antes de entrar pela Rua Augusta, aproveitamos para visitar o Miradouro do Arco da Rua Augusta, aberto às visitas desde 2013 e que oferece vistas 360º sobre toda a baixa lisboeta.

Vista desde o miradouro do Arco da Rua Augusta

Seguimos pela Rua Augusta até à Rua da Conceição e subimos para a Sé de Lisboa. Eu aconselho visitar tanto a catedral como as ruínas que existem no interior. Fiquei surpreendida pela positiva da última vez que lá fui, já que nunca tinha entrado.

A partir daqui é sempre a subir e a primeira paragem é o Miradouro de Santa Luzia, outro dos miradouros de Lisboa mais conhecidos e fotografados! Aproveita os bancos para descansar um pouco com vistas para o Tejo e descobre os painéis que mostram a conquista do Castelo de São Jorge em 1147 e a Praça do Comércio antes do terramoto de 1755.

Depois deste miradouro existem outros dois por onde vamos passar no caminho até ao castelo: o Miradouro das Portas do Sol e o Miradouro do Recolhimento.

Miradouro das Portas do Sol

Este último abriu há bem pouco tempo e é ainda bastante desconhecido, mas as vistas não deixam nada a desejar, com a Igreja de Santo Estêvão e o Panteão Nacional em primeiro plano.

A seguinte paragem é o Castelo de São Jorge. Da última vez que entrei era grátis, mas agora é preciso pagar para entrar e não é propriamente barato. Acho interessante que as pessoas entrem se é a primeira vez em Lisboa, mas nunca aconselho ninguém a repetir… Com a quantidade de miradouros grátis que há em Lisboa, não vale a pena…

Mas entra, passeia pelo interior do castelo, faz fotos montado nos canhões e com vista para a cidade. Descansa e aproveita 😉

ruas de alfama

Típica rua de Alfama

Estamos no bairro de Alfama e é aconselhável perder-se por aqui, tanto durante o dia como à noite. As experiências serão completamente diferentes! Tem cuidado com a calçada, sempre muito empinada, gasta e escorregadia 😉

A Igreja de Santa Engrácia, mais conhecida como Panteão Nacional é um local que muitas vezes é esquecido ou deixado “para depois” nos roteiros. Das últimas duas vezes que estive em Lisboa não tive tempo de o visitar e arrependi-me! Da próxima não falha!

Panteao nacional lisboa

Panteão nacional

Aqui estão enterrados os heróis nacionais portugueses e algumas figuras públicas mais acarinhadas pela nação, como é o caso de Amália Rodrigues, do Eusébio, Pedro Álvares Cabral, o Infante D. Henrique ou os vários Presidentes da República.

O segundo dia deste roteiro de três dias por Lisboa acaba no Miradouro da Graça, ou Miradouro Sophia de Mello Breyner Andresen, o meu favorito.

Aproveita o pôr-do-sol espantoso que tens aqui, toda uma cerveja fresquinha na esplanada e descansa! Podes sempre experimentar um restaurante para jantar por estes lados ou apanhar o elétrico 28 para a zona do Martim Moniz e comer num indiano, chinês ou qualquer outro restaurante étnico da zona!

Também podes apanhar o 28 na direção contrária e voltar à Baixa Pombalina!

Dia 3

Terceiro e último dia deste roteiro por Lisboa… Hoje deixamos os miradouros, os telhados vermelhos e o reboliço do centro de Lisboa e focamo-nos nos museus, no rio Tejo e na zona de Belém!

Começamos o dia no MAAT, o novo museu lisboeta que tanta gente atrai pela sua arquitetura exterior. O Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia tem vistas sobre o Tejo, uma escadaria impressionante e exposições relacionadas com as ciências.

(fonte: huftonandcrow.com)

Se não te apetece visitar o museu por dentro, não deixes de passar pela sua porta e tirar a foto da praxe!

O seguinte museu é toda uma tradição numa viagem a Lisboa! O Museu Nacional dos Coches, tem carruagens com mais de 3 séculos feitas em países tão diversos como Itália, França, Áustria ou Espanha. O último coche do museu a ser utilizado foi a Carruagem da Coroa, em 1957 por ocasião da visita da Rainha de Inglaterra.

(fonte: Wikimedia Commons)

Os miúdos adoram este museu e é verdade que os detalhes tão minuciosos das imponentes carruagens, impressionam qualquer um.

Depois de um passeio pela margem do Tejo, chegamos até ao Padrão dos Descobrimentos, construído em 1939 para a Exposição Universal de 1940 e que depois acabou desmontado. Em 1960 foi reconstruído e acabou por ficar até aos dias de hoje.

Durante muito tempo pensei que o monumento fosse maciço, mas não! Tem uma pequena exposição dentro e um miradouro, como não poderia deixar de ser!!

Daqui até à Torre de Belém é um saltinho! Pelo caminho podem para no Mister Tapas (foodtruck de tapas de uns conhecidos meus) e comer qualquer coisa para recuperar forças!

A Torre de Belém foi construída como um baluarte de defesa do estuário do Tejo em 1520, durante o reinado de D. Manuel, daí a decoração manuelina tão característica. Quando a construíram estava completamente rodeada de água!!

Sabendo onde está hoje em dia, dá-me um pouco de “medo” a quantidade de água que desapareceu…

A próxima paragem não é um monumento, mas o que lá se faz merece tanta, ou mais, atenção que os restantes lugares por onde fomos passando neste roteiro turístico de 3 dias por Lisboa.

Falo dos famosíssimos Pastéis de Belém e da única pastelaria que os pode comercializar!

O seu fabrico começou em 1837 utilizando a receita secreta de um convento ali perto que os fabricava. Esta receita mantem-se inalterada até aos dias de hoje e só os chamados Mestres Pasteleiros que trabalham na ‘Oficina do Segredo’, sabem quais são os ingredientes.

Não te esqueças de os polvilhar com açúcar em pó e canela e comê-los quentes. Falo no plural porque todos sabemos que é impossível comer só um!

Depois de adoçada a alma e o paladar, toca visitar um dos mosteiros mais famosos e visitados de Portugal, o Mosteiro dos Jerónimos.

Fundado em 1496 com o nome de Mosteiro de Santa Maria de Belém, mudou mais tarde para o nome atual e passou a ser sede da Ordem de São Jerónimo até 1833. O mosteiro é famoso porque aqui pernoitou Vasco da Gama antes de sair para a sua expedição à Índia.

(fonte: Wikimedia Commons)

Dentro do mosteiro é possível apreciar os túmulos de Vasco da Gama e o de Luis Vaz de Camões, poeta português e autor do épico ‘Os Lusíadas’. Os poetas Fernando Pessoa e Alexandre Herculano são outras das figuras históricas que estão também sepultadas no mosteiro.

A igreja é de visita gratuita, mas caso queiras visitar o resto do mosteiro, é necessário pagar entrada.

Logo atrás do Mosteiro dos Jerónimos encontramos o Jardim Botânico Tropical. Foi criado em 1906 como espaço de testes de cultivo de diferentes espécies trazidas do estrangeiro, mais concretamente dos outros países do império colonial português.

Jardim Botânico Tropical (fonte: www.flickr.com/photos/paolafarrera/12191070763)

Subindo a rua, chegamos ao Palácio Nacional da Ajuda, um dos palácios mais bonitos de Portugal!

O palácio é de estilo neoclássico e no local onde hoje em dia o encontramos, em 1755 existiu um pequeno edifício que albergou a família real depois do terramoto.

Palácio Nacional da Ajuda (fonte: lisboahojeeontem.blogspot.com)

Os bairros de Belém e da Ajuda estão vistos! No caso de ainda teres tempo neste terceiro dia do roteiro turístico por Lisboa, aconselho que visites a antiga Expo, conhecida nos dias de hoje por Parque das Nações, e o Oceanário de Lisboa.

O Oceanário é o maior aquário de toda a Europa e o segundo maior do mundo. 25mil peixes, aves marinhas e mamíferos num gigantesco tanque central que tem todo o protagonismo do local! À volta encontramos recriações mais pequenas de habitats, como a Antárctica, África ou a Europa e as suas famosas marmotas descendentes do Eusébio e da Amália.

Na zona do Parque das Nações podemos ainda ver o Pavilhão do Conhecimento, perfeito uma visita com os mais novos, o teleférico de Lisboa e a Torre Vasco da Gama, o edifício mais alto de Portugal!

Quando terminares este passeio vais, muito provavelmente, estar mais cansado do que quando chegaste a Lisboa, mas terás visto só um bocadinho de tudo o que a cidade pode oferecer!

Descansa, aproveita os últimos momentos num lugar mais relaxado como é o caso do Parque das Nações, almoça/janta num dos restaurantes com peixe fresco que por lá há e sorri! Bem-vindo à capital portuguesa 😉

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